
Por que algumas pessoas têm boa memória e outras não? A pergunta pode
soar meio enigmática, mas saiba que a capacidade de memorização depende
de vários aspectos. Existe, por exemplo, um importante componente
genético: há quem nasça com uma aptidão de concentração, retenção e
evocação mais desenvolvidos. Porém, a esse presente dos genes vem se
juntar uma série de fatores ambientais que também influenciarão,
potencializando ou esmagando tal habilidade.
"Contam idade, atividade profissional, grau de escolaridade, ritmo do
sono, prática de atividade regular, uso ou não de medicamentos que
possam atrapalhar o processo, consumo ou não de álcool, nicotina e
outras drogas, grau de organização e, claro, treinamento da memória",
salienta Leandro Teles, médico neurologista membro do corpo hospitalar
do Albert Einstein, Sírio Libanês, Oswaldo Cruz e Samaritano, todos em
São Paulo.
Com ele concorda Nanci Azevedo Cavaco, psicopedagoga e neurocientista
com especialização em memória e Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade (TDAH), sócia-diretora da Academia do Cérebro, no Rio de
Janeiro. "Fatores hereditários inclinam, mas não são determinantes.
Atitudes saudáveis – desde dormir bem e se exercitar até ter uma boa
alimentação – contribuem muito para melhorar essa capacidade. Em uma
comparação apenas ilustrativa, pense em uma pessoa magérrima que, à
medida que faz musculação e come direito, começa a ganhar massa
muscular. É mais ou menos a mesma coisa, o cérebro vai sendo turbinado."